Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Para ser grande, sê inteiro


Embora aprecie poesia, dificilmente as memorizo sendo capaz de declamá-las... Essa é um das poucas que sei ( e há muito tempo!).
Estranho como as palavras, por vezes, parecem fazer falta na vida da gente... Senti saudades dessas...


Para ser grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha,
porque alta vive.
Ricardo Reis/ Fernando Pessoa

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

Beautiful day

"...What you don't know
you can feel it somehow
What you don't have
you don't need it now
It was a beautiful day!
Don't let it get away...
Beautiful day..."


song Beautiful Day - U2

Domingo, Fevereiro 19, 2006

Deixa

Uso colete salva-vidas
pára-quedas,
leio mapas,
controlo os ponteiros do relógio,
enquanto espero

que você interrompa a cena,
me obrigue a usar as estrelas,
me atire ao ar,
ao mar
e me arranque esse receio de amar.

Li


"O medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier"
Beto Guedes

Sábado, Fevereiro 18, 2006

Minha Casa

O coração pulsa ansiando mudanças, desejando intensidade...
E como disse Maiakóvski: "sou todo coração"...
Hoje tomo emprestadas de Zeca Baleiro:

É mais fácil cultuar os mortos que os vivos
mais fácil viver de sombras que de sóis
é mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro...
não quero ser triste como o poeta
que envelhece lendo maiakóvski na loja de conveniência
não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo
nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda
quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas
amoras silvestres no passeio público
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar
vejo o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa
pergunto onde estão teus tamborins
sentado na porta de minha casa
a mesma e única casa

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

"Milágrimas"

Procurando informações sobre o espetáculo "Milágrimas" , de Ivaldo Bertazzo, encontrei a música de Itamar Assumpção e Alice Ruiz...

Acolhimento das lágrimas para gerar algo novo, para fazer nascer de novo.


"Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal ..."

Milágrimas
(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido

A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza, vire a mesa
Coma só a sobremesa
coma somente a cereja
Jogue para cima
faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas
viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena
reze um terço
Caia fora do contexto
invente seu endereço

A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
do sal
do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem, mil lágrimas
sinta o milagre

A cada mil lágrimas sai um milagre


Ouça essa música interpretada por Zélia Duncan em http://www.mpbnet.com.br/musicos/zelia.duncan/letras/milagrimas.htm

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

Presente

Hoje ganhei um lindo presente, de um escultor de palavras...
A ele, que tão fartamente oferece as suas, faltaram-me palavras para agradecer.

Sábado, Fevereiro 04, 2006

Poema Utópico

Registro aqui um dos meus poemas favoritos, entre muitos do meu amigo Aluísio, aniversariante nesse 04 de fevereiro...

"Quem dera o rio corresse ao contrário

As folhas secas voassem muito mais alto

E as antenas tocassem as nuvens.

Poder correr por onde só se pode nadar

Poder nadar por onde só se pode caminhar

Pode voar por onde só se pode contemplar

Interferindo na Lei da Gravidade,

Entrevendo em toda a sanidade

Alterando as cores, mudando os padrões

Despertando sorrisos e calando abismos

Enquanto uma nova cidade nasce ao nosso redor.

Quem dera a vida fosse tão simples quanto sonhar

O amor tão simples de brotar

A vaidade tão chata de aparecer

As chuvas caírem somente para enaltecer

O que de ruim já se foi e o que de bom irá surgir

Tão simples quanto desistir ou partir.

Quem dera fosse tão fácil para a dor sorrir..."

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Aniversário


Ano novo, nova idade!
Sinto-me renovada nesse aniversário. Parte disso vem do descanso merecido que me dei na semana passada.... Parte vem do carinho de todos que se lembram de mim nesse dia. O melhor de fazer aniversário é receber os cumprimentos da família e dos amigos e reforçar a certeza de que venho construindo laços importantes para minha vida...

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

Venha

Tempo de esvaziar gavetas, varrer as
máquinas, deletar o que já não serve mais...

Tempo de dizer adeus, encerrar projetos, viver a perda para iniciar outros tantos...

Tempo de fazer promessas e parar de protelar aquelas que não foram cumpridas em 2005.
Tempo de renovar (se).
Tempo de dar as boas vindas ao que vai chegar.
Que venha...
Imagem: Eliane Candida Pereira

Domingo, Novembro 27, 2005

"Cemitério da Memória - Fragmentos da Vida Cotidiana"



Me encantei com o Curta "Cemitério da Memória - Fragmentos da Vida Cotidiana".
Talvez porque esteja esperando uma grande mudança, que não vejo... Talvez porque não consiga ver a pequena mudança que ocorre em cada celula, a cada dia, sem saber...
Li

"Amigos, nada mudou em essência.
Os salários mal dão para os gastos,
As guerras não terminaram
E há vírus novos e terríveis,
Embora o avanço da medicina.
Volta e meia um vizinho
Tomba morto por questões de amor.
Há filmes interessantes, é verdade,
E como sempre, mulheres portentosas
Nos seduzem com suas bocas e pernas,
Mas em matéria de amor
Não inventamos nenhuma posição nova.
Alguns cosmonautas ficam no espaço

Seis meses ou mais, testando a engrenagem
E a solidão.

Em olimpíada há recordes previstos
E nos países, avanços e recuos sociais.
Mas nenhum pássaro mudou seu canto
Com a modernidade.
Reencenamos as mesmas tragédias gregas,

Relemos o Quixote, e a primavera
Chega pontualmente cada ano.
Alguns hábitos, rios e florestas

Se perderam.
Ninguém mais coloca cadeiras na calçada
Ou toma a fresca da tarde,
Mas temos máquinas velocíssimas
Que nos dispensam de pensar.
Sobre o desaparecimento dos dinossauros

E a formação das galáxiasNão avançamos nada.
Roupas vão e voltam com as modas.
Governos fortes caem, outros se levantam,
Países se dividemE as formigas e abelhas continuam
Fiéis ao seu trabalho.
Nada mudou em essência.

Cantamos parabéns nas festas,
Discutimos futebol na esquina
Morremos em estúpidos desastres
E volta e meia
Um de nós olha o céu quando estrelado
Com o mesmo pasmo das cavernas.
E cada geração, insolente,
Continua a achar
Que vive no ápice da história".

(Locução no curta Cemitério da Memória - Fragmentos da Vida Cotidiana disponível em http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1784 )

Terça-feira, Novembro 15, 2005

Individualidade


Aceitar a própria individualidade é algo que não se aprende na escola. Essa é umas das aprendizagens mais complexas durante a nossa existência.
Embora todos tenhamos atributos semelhantes, somos diferentes. Somos seres ritmados, cada um a seu tempo. O coração tem cadência, nosso caminhar tem cadência, nossa fala tem cadência. Dotados do mesmo aparelho, nos expressamos por silencio e sons, articulando os signos presentes em ambos. No entanto, jamais encontraremos aquela voz, um dia perdida, na boca de outrem e isso não é só efeito da genética.
Às vezes, como se fôssemos insuficientes nessa tentativa constante de dizer algo (para nós mesmos), emprestamos símbolos. Lançamos mão de produções coletivas, imitamos, reproduzimos, mas nem assim fugimos da sina da individualidade. Há certos dias que precisamos de trilhas sonoras para nossas cenas pessoais, como a que Claire (Kirsten Dunst) oferece a Drew (Orlando Bloom), no filme Tudo acontece em Elizabethtown (http://www.elizabethtown.com/home.html ), para que ele de fato sinta o percurso da sua viagem pessoal. Uma música para expressar alegria do desejo realizado, uma música para simbolizar a frustração da ausência ou desilusão. Precisamos lançar mão de outras linguagens para expressar o que o pensamento não consegue elaborar., para expressar o que não conseguimos explicar. Toma-se, então, emprestado. Porém a interpretação faz com que o objeto escolhido seja diferente a cada uso, porque quem interpreta é único e diferente a cada dia.
A viagem sempre será única e solitária, por mais companheiros que se encontre pela estrada.
Eliane

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Tudo é relativo

Nossa capacidade de simbolizar e interpretar é nossa salvação (ou será perdição?)
Não sei a autoria dessa imagem... Eu a recebi do meu amigo Lu outro dia. Como toda boa imagem, cada um pode ler o que quiser nela. Para mim sussurra algo sobre a relatividade dos fatos, dizendo-me que o lixo não deixará de ser lixo pela sombra que promoveu, mas, sem dúvida, essa sombra o faz suportável aos nossos olhos, simpático até... A relatividade das coisas não está nelas mesmas, mas nas interpretações que desperta em nós. Fato é fato. A relatividade está em nós. É isso que nos torna tão belamente complexos...
Li


“Cada despedida é um adeus.
Cada reencontro é um novo amor”

José Angelo Gaiarsa

Sábado, Outubro 29, 2005

Verdades

Houve um tempo em que eu exigia (-me) a verdade, doesse ou não.

“Queria sempre achar explicação para o que eu sentia...
(1)

Hoje penso se as palavras dariam conta de fato da verdade. Será que o que se diz é fato ou o que gostaria que tivesse sido? Hoje, já nem sei...

“Tu dizes que a verdade produz frutos...

Já viste as flores que a mentira dá?” ( 2)

Só sei que é preciso coragem demais para desvelar as palavras e perceber o quanto de dor e fraqueza existe dentro de cada mentira...

Hoje prefiro afirmar somente que mais perigosas são as certezas que construímos.Doem mais quando ruem.

No entanto, não minto. Não que eu saiba. Só entorpeci o juiz em mim.

“Como um anjo caído fiz questão de esquecer que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira” (1)

A única certeza é que temos lá nossas razões para tantas incertezas... Mesmo que não as conheçamos.

“O teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer" ( 3)
Eliane

(1) Renato Russo
(2) Mário Quintana
(3)Cazuza
Assista o curta Mentira, de Flávia Moraes, baseado em uma crônica de Luis Fernando Veríssimo, em http://www.portacurtas.com.br/filme_abre_pop.asp?cod=810&Exib=2770

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

Mania de explicação

Como linearizar o que é sistêmico,
explicitar o que é complexo,
aceitar se não tem nexo?

Ah, como dói essa mania de explicação *!



* (As palavras são minhas, mas Adriana Falcão me emprestou um espelho com a personagem Menina, no livro Mania de Explicação... Ah, olha eu aqui, explicando de novo!...)

Terça-feira, Outubro 25, 2005

Nuvens

Mudanças as vezes assustam. No entanto, são nada mais que novas perspectivas. Somos nuvens. E viva a ação do vento.


Tomo emprestadas as palavras de um amigo:


"Solto
Vencido
As decisões não duram mais que um dia


Num dia tenho certeza
Noutro insegurança


Sinto me vagando
Como nuvens no céu
Leve mas solto no ar
Rodando junto com a terra
Em torno do sol
Esperando a vida acontecer
Aguardando surpresas
Mudanças
Sem eu nada fazer
Vendo o tempo passar
E o sorriso ficar para trás
Esperando a morte

Mas eu não vou desistir
Se as minhas decisões
Não duram mais que alguns minutos
Que eu não me sinta vencido
Que eu tenha os pés no chão
Que eu passe por cima
De a volta
Sinta fundo

Que eu procure sentido no que eu deixei de fazer
Que eu aprenda com a tentação
Que a morte me faça viver

Que minhas vitórias me dêem humildade
Que a minha ignorância me de sabedoria
Que a violência me traga paz
E a tristeza
Alegria"


Nuvens por Eduardo Tasca Vicente - meu amigo, aniversariante do dia.

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